Até um dia, Facebook.

coragem1

Há tempos escrevo sobre tudo o que me toca da forma mais sincera possível. Não tenho vergonha de falar de minhas fraquezas, de meus medos, de meus devaneios sejam eles de que natureza forem e muito menos penso duas vezes antes de pedir desculpas por algo que tenha feito. Não raro, sou criticada e gosto quando isso acontece porque me vejo refletindo sobre meus valores. Crescemos sempre no embate, no diálogo, na divergência.

Muitas pessoas não se expõem por aqui para não ter que discutir. Não sou dessas como podem ver. Falo sobre política, educação, maternidade, sociedade, separação, escrevo sobre como é morar no subúrbio carioca, escancaro a minha dor sem freios. Sempre fui assim desde que me entendo por gente.

Como já disseram, sou uma “subcelebridade” na internet. Para quem não sabe, esse boom no meu perfil ocorreu no ano passado por postagens de cunho bem diferentes terem viralizado: vídeo de minha filha cantando para vacas, foto dos meus filhos no Aniversário Guanabara, texto relatando a minha experiência com coletor menstrual, anúncio de meu filho Hideo,… e o polêmico texto sobre cotas escrito há um ano (repostado ontem no facebook) que é o motivo dessa minha fala agora aqui.

O texto sobre cotas me apareceu como “lembrança do facebook”. Como acontece com inúmeros deles, apenas dei o famoso control C control V para quem não tivesse lido, caso quisesse, dar uma olhada. Lembro-me que, no ano passado, recebi mensagens de todo o Brasil por ele. Pessoas que haviam sido (ou ainda eram) cotistas estavam me agradecendo emocionadas pelo relato que eu havia feito. Por recordar as mensagens de carinho que havia recebido e por entender que ele seria algo bom para a comunidade, resolvi publicá-lo em meu feed mais uma vez. Se tivesse, na época, recebido uma só crítica de um negro se sentindo mal com a postagem, podem ter certeza que não teria republicado esse texto. Não foi o caso. Os elogios e agradecimentos tinham vindo deles e por causa do texto fiz amigos cujas vozes são importantíssimas no movimento negro. Sim. Muitos que me elogiaram podem ser cegos, não descarto essa possibilidade.

Qual foi minha surpresa que dessa vez a minha vida virou de cabeça para baixo. Levei um susto com a quantidade de pessoas me agredindo e as ameaças que recebi. Fui acusada de ser racista e ter sido completamente infeliz nas palavras. Inicialmente, como sempre digo, se o oprimido diz que sofreu um preconceito e foi agredido, ele tem sempre razão. Não existe mimimi. Não existe vitimismo. O mundo não está ficando chato. O mundo está melhorando isso sim. E isso tudo que aconteceu serviu como grande aprendizado, pois, fui acusada pela primeira vez de opressora. Perguntei-me: onde fui racista? Eu? Racista?! Já sabendo de pronto que sim, vale observar. Tinha sido racista já que há negros que se sentiram ofendidos. Essa é a regra.

Li o texto. Reli. Li comentários. Muitos xingamentos, muitas agressões.

A minha reação é ficar desesperada olhando para o que fiz e questionando onde errei e porque despertei esse sentimento ruim nas pessoas se tomo sempre o maior cuidado para fazer o contrário. Para muitas que vieram até me ofendendo, eu pedi para que, por favor, me ajudassem a melhorar. O que falei que feriu tanto para que nunca mais eu faça de novo?, perguntei para um tanto de gente hoje, pois, juro, não entendi o motivo pelo qual estavam querendo meu fígado.

Nada como o diálogo.

Não vou me ater aqui a dissecar do texto e a comentar frases que recortaram, colaram em fotos minhas e divulgaram em páginas e sites por aí. Sei que com isso, minha integridade física já foi ameaçada, corro risco de vida, pois, conhecem bem meu rosto (como fizeram questão de expor) e esses que fizeram isso querem mesmo a minha morte seja ela real seja metafórica. As duas são possíveis e se temo a primeira é porque sou mãe de três e filha de duas pessoas para as quais dou total assistência. O fato de ter virado conhecida pouco me importa ao contrário do que muitos (que não me conhecem) pensam. Coisas imprevisíveis que acontecem na internet… Por mim, ficaria falando só para meus amigos como sempre fiz. “Printando meus próprios tweets” para eles somente no intuito de compartilhar ideias e brincar – como muitos sabem que gosto demais de fazer.

A única coisa que sempre sonhei foi ter meus livros publicados e só. Isso não escondo de ninguém. Mais do que isso para quê? Acabou que hoje tenho quase 150 mil seguidores, fato que foge a minha compreensão e ao meu controle. Quando penso nesse número me dá até calafrios. E, por tentar sublimá-lo e acreditar sempre que escrevo para meia dúzia de leitores, não tomo cuidados que hoje, aprendi, preciso estar atenta.

Isso posto e voltando ao foco da postagem, gostaria de agradecer a todos pelas críticas que me fizeram. Entendi que, a despeito de não ter sido a intenção, o texto que pretendia narrar a desconstrução de um preconceito, ainda assim, foi infeliz e opressor, principalmente, na forma.

Relendo a partir das críticas recebidas, percebi o quanto é difícil viver em uma sociedade estruturalmente racista. Eu estava crente que (como muitos me fizeram crer na primeira vez que o texto foi publicado) tinha feito um serviço bacana narrando tudo o que passei. Qual o quê. Close erradíssimo. Vocês estão certíssimos em terem me chamado a atenção.

A única coisa que gostaria de pontuar é que o fato de eu ter estranhado ver negros em minha sala de aula (como narrado o texto) não foi por incômodo com a raça ou cor e sim por ter visto que algo diferente estava acontecendo. No mais, a narrativa peca por ter dado a impressão que eu acredito que, se não fosse pela ajuda dos colegas brancos, os cotistas não dariam conta, além de eu ter reforçado esteriótipos que só dificultam a inclusão e os colocam como seres fora do padrão. Entendi perfeitamente isso e concordei de pronto com a crítica.

Não inventei nada do que foi escrito, queria observar. Tudo aconteceu. Não teria motivos para inventar nada. Autopromoção, crescer em cima da desgraça alheia, aparecer como salvadora… nada disso me passou pela cabeça. Quando o texto foi publicado pela primeira vez, praticamente, foi só para amigos e conhecidos que sabem que a minha intenção jamais seria essa, digo, aparecer. Queria apenas compartilhar com aquele texto (que excluí para frear as ameaças que ando recebendo e a pedido da comunidade negra – e não por covardia como já me acusam) que quebrei a minha cara por ter pensado inicialmente que não daríamos conta daquele novo perfil de alunos que nunca dantes na história do Cefet havíamos tido.

Não menti. O texto fala (de forma infeliz ok) da desconstrução (não completa como vários observaram muito bem) de um preconceito de classe e de como tive que me reinventar como professora para dar conta da diversidade de vários níveis. E tive mesmo. Não vou esconder isso. Não por ser “iluminada”, “boazinha”, “princesa isabel” como me chamaram ironicamente. Mas porque outra realidade se apresentou e que não fazia ideia de como lidar com ela e fiz um esforço danado para aprender. E continuo me esforçando para ser a melhor professora para meus alunos. Há muito o que preciso assimilar ainda, como viram. Que bom que seja assim, penso eu… que horror seria se não tivesse mais nada a melhorar.

Hoje, em minhas palestras e em minhas falas, defendo que as cotas deveriam ser obrigatórias por lei em escolas particulares também, pois vi o quanto é somado quando trabalhamos no plural. Não sou tão ruim quanto pensam ao meu respeito. Entre o quente e o frio há graduações de morno. Seria bom não ver o mundo de forma tão dicotômica, acho eu…

Se meu relato reforçou a colonização, como observaram, peço milhões de desculpas, pois quero estar ao lado de quem a questiona e não do lado de quem a defende. Por favor, não me excluam dessa luta.

Prometo me policiar muito mais na minha fala, na minha escrita e a rever sempre meus (pre)conceitos.

Mais uma vez, a todos que contribuíram para tanta reflexão, muito obrigada. E a todos que se sentiram ofendidos, perdão.

Segue o barco com todos dentro.


Publiquei esse texto me retratando publicamente. As ameaças, incrivelmente, pioraram depois que o escrevi. Por motivo de segurança (já que meu contra cheque, meu CPF e endereço foram publicados junto com a foto do meu rosto com a legenda “racista!”) e por precisar digerir tanto ódio sem afetar a minha saúde, desabilitei a minha conta por tempo indeterminado.
Preciso me fortalecer.
Obrigada a todos que permaneceram ao meu lado e não atiraram pedras.

Em tempo, se quiserem continuar lendo meus novos textos, basta assinar o Blog. Na barra lateral direita tem um espaço para isso. Sempre que postar um texto novo, vocês serão notificados. 

Aqui é a minha casa. Sejam bem vindos.

246 comentários em “Até um dia, Facebook.”

  1. Muito triste Elika. Parecem que as pessoas não podem mais cometer um erro que são condenadas à pior das coisas. Destruir assim a vida de alguém e a sua reputação é demais. Forças.

  2. LK
    Você não cometeu nenhum erro.
    A interpretação está na cabeça de quem lê. Quando falamos do outro, falamos do que está dentro de nós. Essa falta não é sua, é de quem te atribui.
    Fique em paz com você e não perca sua energia tentando entender séculos de mitos e mal entendidos. Eu adoro os textos com seus filhos, me dão idéias de coisas que eu realmente preciso resolver. Não permita que controlem o que te pertence. Bjs

  3. eu to contigo e simplesmente não entendo como essa distorção foi acontecer. idolatro vc e tenho certeza absoluta q semente do mal vc não planta! muito obrigado por vc existir, tenho sido muito feliz ao te ler, como hj, inclusive. ninguém vai tirar o seu valor! bjs!!!

  4. Adorei o texto que relata a tua luta para integrar e, com isso, promover.
    Não cabem desculpas pelo teu relato, nem, talvez, explicações.
    Mas, adorei o “tapa com luvas” que deste. Pelo menos, prefiro acreditar que assim foi.

  5. Lembro do texto e lembro que me emocionei!! Como em vários que já li!!
    Não sou negra e por isso não me senti ofendida!!
    As vezes eu faço uns comentários machistas e minha irmã sempre me repreende, assim sigo melhorando!! Não deve ser fácil pra vc pois minha repreensão vem com amor pra me fazer evoluir… as que vc recebeu não 😢
    Sinto pela sua saída do face, ontem mesmo estava comentando com uma aluna sobre seus textos. Tenho dois filhos pequenos e nao tenho tempo (nem estômago) pra ver jornais, então todos os dias antes de dormir entro no seu perfil pra me “atualizar” rir, chorar, torcer por vc!!!
    Sei que vc lê sempre os comentários e responde sempre q possível!!
    Por este motivo resolvi escrever este e dizer que vou te visitar aqui pois vc ja faz parte da minha vida e eu nãome vejo sem seus textos e sem o seu humor!!!
    Estou triste pelo que vc esteja passando sendo mulher sensível e sentimental como és (senão não faria textos tão lindos) esta sofrendo, mas vc vai superar assim como já superou outras crises!! Eu sigo aqui aguardando ….

  6. Li seu texto desta vez, não tinha lido antes. Achei um testemunho sincero, de uma educadora que se viu diante de uma situação nova, sem ter sido preparado adequadamente para enfrenta-la, sem apoio institucional e tendo que lidar com dificuldades estruturais, sociais e até pessoais para dar conta de sua missão. Gostei e compartilhei. Não concordo com a crítica que lhe fizeram. Não vi o racismo e o paternalismo que lhe imputaram, mesmo tendo você aceitado algumas das críticas. Eu, em seu lugar, não aceitaria. Não compactuo com os ataques que você sofreu, nem no conteúdo e ainda menos na forma agressiva e intimidadora com que foram feitos, para mim reveladores do pior estilo proto-fascista que grassa por aí, e não só na direita. Você tem minha solidariedade.

  7. Elika <3 fica bem.
    fica bem longe dessa loucura virtual
    volte quando puder. bjo, queri

  8. Querida, força! Há que se ter paciência e compaixão com aqueles que não sabem perdoar. Que terrivelmente triste que não sabem.
    Segue firme. Faço preces a ti e tua família.

  9. “Através da linguagem muitas vezes têm origem os mal-entendidos, mas é através dela também que podemos superá-los.”
    Minha solidariedade e meu abraço, Elika.

  10. Elika linda, acabei de ler teu texto e como sempre maravilhoso! Te conheci por causa de prints do twtter e te achei no feice. O texto citado foi o primeiro que li e te achei muito corajosa e honrada por ter justamente aberto teu coração contando da estranheza da nova realidade de cotas no Cefet. A coragem que vi naquele texto vi novamente na tua atitude de agora, no texto e no encerramento, espero que temporário da conta no feice. Siga sendo corajosa. É disso que precisamos. Vc sabe o porque disso tudo. Você está destinada a algo maior. Aceite o convite e concorra. Precisamos de pessoas como tu para nos representar. Pena que não voto aí, mas sei que não faltará quem te apoie. Enquanto cuscos ladram, o “carro” das pessoas de caráter segue. Beijos amada, e fica bem viu?!

  11. Elika, fui uma das pessoas que comentaram super entusiasmadas no seu repost do texto, mesmo sem lê-lo novamente, porque ele me lembrou de ter acionado uma vontade enorme de voltar a trabalhar com crianças, com educação, e acabei nunca agindo sobre isso durante esse ano (!) que passou e até hoje tenho essa pendência na vida.
    Mal sabia o que viraria esse texto. O que tinha que virar (salvo proporções). O algo engasgado na garganta, o qual nunca nos foi enfiado goela a baixo, acabou sendo vomitado sobre você. E um pouco sobre todos que amaram o texto sem fazer a tão necessária, agora vejo, reflexão do óbvio racismo.
    Passado todo o escrutínio, espero mesmo que você retorne as grandes redes.

  12. Elika, tu era a melhor coisa das minhas manhãs. Sacadas geniais, textos lindos. Intolerantes há em todo lugar e sob qualquer espectro ideológico. Fica bem, dá sim um tempo desta loucura.

  13. Elika, pra mim, seu relato foi sincero e calcado sobre a realidade de quem vivencia a escola no seu cotidiano, suas contradições e inconsistências. Repensar(-se) é sempre bom e necessário, mas não se deixe abater pela violência dos comentários. Fique bem! Você é ótima! Se tiver tempo, sugiro uma lida nessa matéria: https://ensaiosdegenero.wordpress.com/2017/01/12/as-armadilhas-do-lugar-de-fala-na-politica-contemporanea/

  14. Elika acompanho teus textos a pouco tempo e só com alguns post dá pra ver que tu não és racista, talvez o texto tenha dado esta impressão, porém já é má vontade dos que se sentiram ofendidos, continuarem com este linchamento virtual pra cima de ti. Força, daqui a pouco a poeira baixa. Sinta-se abraçada, querida!

  15. Elika, sob minha leitura e ótica, você não errou. Apenas foi corajosa demais para os covardes de alma. Não conhecia o texto, só hoje pude ver em função dos acontecimentos. Só não entendi de onde vieram os ataques. Se quiser ou puder, dê um follow no meu twitter para que possamos conversar inbox. Já passei por isso, em menor magnitude, e sei exatamente o que sente. Fique firme, não desista. Você é essencial.

  16. Que pena Elika, que pena… espero que depois desse tempo, vc possa voltar, adoro seus textos!
    Sinto muito o acontecido, na verdade estou chocada, e o que mais choca é que em nenhum momentos as pessoas se questionam o que realmente o seu texto quis mostrar. Estamos passando por uma época inacreditavelmente difícil e sinceramente não sei onde tudo isso vai parar!
    Força, tem muita gente do seu lado!

  17. Elika, quando li o seu texto pela 1a.vez chorei pq achei lindo, corajoso e sincero.
    Choro hoje por sentir como vc deve estar triste. Que mundo estamos vivendo…
    Não desista, menina. Vc é gente boa e merece tudo de bom.
    Conte comigo. Adoro ler o q vc escreve.

  18. Elika, já conversei contigo inbox por entender que você tinha se equivocado. Não foi sobre este texto em questão. Você prontamente avaliou e refez o texto. Esta é a atitude certa. Repensar. Todos somos preconceituosos, e isso é um problema social, que felizmente estamos expondo e corrigindo. Continue escrevendo, porque você faz isso muito bem. As pessoas que agridem ao invés de dialogar são muitas, mas não podemos nos deixar abater por conta de intolerantes. Desejo que você se recupere logo desse baque, e que possa viver em paz, lecionar com amor, e curtir sua família. Dialogando e aprendendo, sempre! Grande beijo!

  19. Seu texto foi extremamente franco, real e sincero, Elika. E talvez seja justamente esse o problema: a maioria das pessoas não quer ver ou ler a realidade. Elas querem coisas que dem prazer aos olhos e ouvidos, nem que pra isso tenham que viver de mentiras e ilusões.

  20. Querida,

    Conheci seus textos através de alunos e ex-alunos de teatro que são seus alunos e absolutamente fãs seus. Já havia lido seu texto sobre as cotas e imaginei que certas colocações suas – que eu entendi perfeitamente! – poderiam gerar celeuma. Vivemos num mundo de intolerância e total falta de empatia. Não é à toa que governos que disseminam o ódio, o radicalismo e a egolatria estão em franco crescimento mundo afora.

    Torço para que esse furacão passe sem causar muitos estragos. Conte comigo no que precisar…

  21. Elika, você não cometeu nenhum erro ao escrever sobre o tema. Não devia ter saído do Face. Quando começou apostar não tinha idéia da notoriedade que ia alcançar, por isso postou fotos e informações pessoais da sua família. A todos que te ameaçaram, você vai a delegacia da internet e denuncia, como no Facebook tem uma repercussão enorme, todos vão estar acompanhando e vigiando.
    Quando receber esses tipos de postagens idiotas e agressivas, oculta e bloqueia. Quando for ameaçada, grava e denuncia, não só na delegaria como na internet, precisamos saber o nome desses criminosos.
    Se eles conseguem saber informações pessoais suas, também conseguimos deles.
    Se parar e se acalmar verá que os grandes (agora como você) sempre tem esse tipo de gentinha que escreve ofendendo e tentando reprimir as idéias, eles entram nessas páginas exatamente para isso, reprimir e tentar impedir que mais pessoas reflitam.
    Volte, porque a luta continua, e você não pode parar.
    Um grande abraço de sua fã e leitora.

  22. Querida Erika, seu texto foi delicado,preciso,de uma educadora séria, de uma cidadã comprometida socialmente…a leitura de um ano atrás se deu em um país com “possíveis possibilidades”, com esperança …agora a leitura de quem assim reagiu vem de um olhar amedrontado, desamparado (que não consegue mais que você está ao lado dos cotistas) como vários filósofos e sociólogos contemporâneos têm escrito, e no vídeo do Chico Santa Cruz no dia 28 foi colocado de forma clara, nestes tempos de desumanização , sem Estado de fato e tudo mais que estamos vivendo, justamente os mais afetados começam a brigar entre, agredir quem de fato está junto…
    Que floresça uma consciência em quem está a agredir e a lembrança de quem realmente está na rede por um país, um mundo melhor…
    Fica bem moça, muito Ser neste momento!Volta logo…você

  23. força mulher!!! continue pensando e escrevendo!!! continue mudando a realidade ao seu redor!!! ninguém chuta gato morto!!! um forte abraço!!

  24. ELIKA, não fique pedindo desculpas ou querendo agradar fascistas. O erro tá do lado deles que te atacaram. Esse movimento identitário é uma praga. Queria te mandar uma msg inbox mas parece q por aqui não dá…
    Tô muito chocada com essa repercussão toda. Força aí!!
    Beijo

  25. Estou muito chocada com tudo isto! Não seriam “fascistas” disfarçados para desconstruir tudo de bom que você defende? Triste com tudo isto e acredite… tudo passa! Já havia lido seu texto e não tem nada de ofensivo.
    Grande abraço!

  26. Fico muito triste com sua saída do facebook.
    Seus posts (e os conselhos que você me deu quando te perturbei no chat) me fizeram refletir sobre a vida, sobre a sociedade que queremos, sobre a minha forma de lecionar física e por isso eu te agradeço muito.

    Vivemos em uma época estranha, em que pessoas que nao interpretam textos (por que não conseguem ou por que seu odio por quem pensa diferente não permite) conseguem fazer com que uma pessoa maravilhosa se afaste dos seus admiradores.

    Seus admiradores (que eu vejo também como seus alunos de certa forma) estão contigo e sabem que você não é nada daquilo que seus detratores dizem.

    Abraços

  27. Sobre “alunos que não sabem segurar um lápis”, cotas para negros, saber estudar e a Professora Elika:

    Sim, alunos saem das escolas públicas cariocas sem saberem segurar um lápis. Já presenciei isso.

    Sim, alunos saem das escolas públicas cariocas sem saberem estudar. Já presenciei isso.

    Sim, alunos com desnível acontecem. Já presenciei isso.

    Sim, alunos negros em sua maioria oriundos de escolas públicas municipais cariocas em uma sala com alunos brancos que estudaram em escolas “fortes” enfrentarão dificuldades. Já presenciei isso.

    Sim, o Professor que encontra uma turma desnivelada enfrentará dificuldades. Já presenciei isso.

    A QUESTÃO É:

    Não se pode falar que alunos saem das escolas públicas cariocas sem saberem segurar um lápis. Já presenciei isso.

    Não se pode falar que alunos saem das escolas públicas cariocas sem saberem estudar. Já presenciei isso.

    Não se pode falar que turmas com alunos com desnível acontecem. Já presenciei isso.

    Não se pode falar que alunos negros em sua maioria oriundos de escolas públicas municipais cariocas em uma sala com alunos brancos que estudaram em escolas “fortes” enfrentarão dificuldades. Já presenciei isso.

    Não se pode falar que o Professor que encontra uma turma desnivelada enfrentará dificuldades. Já presenciei isso.

    O MOTIVO?

    Hipocrisia.

    Pura hipocrisia.

    É melhor não falar sobre o assunto.

    É MELHOR FINGIR QUE ELES NÃO EXISTEM.

    Mas o que mais me choca é a quantidade de analfabetos funcionais que ao lerem o texto da Elika simplesmente enxergaram RACISMO por não quererem ver o óbvio:

    Existe um problema REAL desde o Ensino Fundamental no que tange ao tratamento disponibilizado ao ALUNO NEGRO.

    Aluno negro, de escola pública, MUITAS VEZES FAVELADO, esse ser invisível…

    Esse ser que choca em uma sala de aula voltada ao ensino “mais forte”. Pois por anos e anos ele não teve acesso a ela.

    Mas com as cotas ELE TEVE ACESSO, sim, e acredite não é fácil para o Professor lidar com alunos que precisam de uma ajuda muito maior do que o tempo que se tem para trabalhar na sala de aula.

    Seja com os Indígenas no Mato Grosso com quem agora trabalho ou Negros de favelas cariocas com seus bonés e cordões pesados o problema é o mesmo:

    INVISIBILIDADE.

    Pobre Elika, você os enxergou.

    E afirmar que eles foram vistos em sua dificuldade e que com trabalho tentou-se mudar algo…

    É um crime!

    É melhor mantê-los invisíveis. Não podemos falar do problema secular na educação brasileira, que não é igual pra todos.

    Sim, a palavra NEGRO tem que ser usada;

    Assim como a palavra INDÍGENA.

    Assim como a palavra EDUCAR.

    Eu vi AMOR pela Educação no texto da Elika. Se vocês não viram isso, desconhecem o que é lutar para conseguir resultados em seus alunos.

    Se existe “preconceito velado” como alguns afirmam, existe também uma vontade de fazer algo pela educação.

    PELOS ALUNOS NEGROS.

    PELOS ALUNOS POBRES.

    PELOS ALUNOS INVISÍVEIS.

    Pobre Elika… Você enxergou esses alunos.

    Triste mesmo é não perceber isso.

    1. Bem isso… Josué. Chegasse ao cerne da questão. Muitos brasileiros não enxergam tudo isso e preferem que alguns grupos continuem invisíveis. O nosso preconceito velado de cada dia. Triste para um país tão rico de raças, mas tão cego pela hipocrisia. :'(

  28. Elika, querida, não deixe essa situação te abater. Ninguém é infalível. Impossível conviver em sociedade, mesmo com a melhor das intenções, sem car consequências imprevistas. Entendo o carinho e a admiração que te lrvaram a publicar e republicar o texto. Na primeira vez, também como você, não vi problemas. Com alguns comentários ao segundo, nos desconstruímos. Percebemos que poderia haver alguma carga negativa ali. E repensamos. E dialogamos. E crescemos como cidadãs.
    Pronto. Tudo o que extrapolar vai ser discurso de ódio e ânsia de humilhar a qualquer custo. Somos seres falhos e a oportunidade de melhorarmos deve ser sempre bem-vinda e comemorada. Aguenta aí.

  29. Não vejo qualquer motivo para você se retirar. As pessoas, definitivamente, não entenderam o seu texto, e isto, NÃO É SUA CULPA!

      1. Entendo a sua situação… E acho que os que estão te odiando, não leram o texto todo até o fim. Lamentável… Mas infelizmente, corremos este risco quando expomos a nossa opinião. Tem todo o meu apoio para continuar na luta. Não se deixe enganar por fascistas infiltrados no movimento de esquerda!

  30. será que eu li o mesmo texto desse pessoal que tá te criticando Elika? ou todo mundo ficou tão burro e esqueceu interpretação de texto? Elika, se tu tá sendo ameaçada, printa e busca justiça. Processa. Mais uma coisa, tu só responsável pelo que tu escreves, não pelo que os outros interpretam (ou não conseguem) interpretar do teu texto.

  31. Quando pensei em fazer uma crítica já tinha jogado as pedras. Como professora e (considerada) branca tive uma percepção de que, o que vc pretendia com o texto era mostrar a sua mudança também como professora ao receber alunos cotistas. Tanto como pessoa, quanto na forma de avaliar. Discutindo com outras pessoas, observei que determinado trechos ofenderam (e muito) um grupo de pessoas. Ora, eu ia perguntar “elika, não sabiam pegar, “pegar”, PEGAR no lápis?” Essa grande foi que me assustou (antes de discutir o resto com meus pares). Pode ser uma metáfora? Pode. Mas vieram as outras, como se espantar com negros no cefet, pedi a uma aluna pra ser o diferencial na vida de alguém (certamente branca). No texto há um que fantasia, ora, também sou professora da rede pública e por mais que os alunos tenham dificuldades, pegar o lápis eles sabem… as pessoas se sentiram animalizadas, discurso de colonizador e aquelas coisas todas. Você, brilhantemente escreveu o desagravo. Como era de se esperar uma vez que (assim como eu) vc parece uma pessoa que admite e reflete sobre aquilo que é apontado como erro.
    Acredito que o que tenha te espantado, talvez magoado e doido, foi a enxurrada de merdas que vieram depois, vindo de quem veio, da “esquerda”. POrque quem tem a percepção de que as frases que citei machucam e essa galera. Infelizmente desagregou. E sei que magoou porque vc vive mandando flores e tweets fofos pra quem te sacaneia.
    Espero que a galera coloque a cabeça no lugar e repense. Não dá pra perder guerreira igual a você. Abraços.
    Espero

  32. Elika, sinto muito pelas agressões que vc tem sofrido. Adoro ler o que vc escreve e espero que se restabeleça logo. E mais que tudo, obrigada por vc se expor e compartilhar sua beleza. Isso é muito precioso para a construção do nosso mundo melhor. bjs! continuarei te seguindo por aqui.

  33. Tenha o tempo necessário para digerir isso. Mas estamos contigo e precisamos de ti. Forte abraço.

  34. As pessoas estão perdendo a noção dos limites. Por mais que tenha havido algo errado, linchamento com divulgação de fotos, endereços e etc é inadmissível. Pode parecer um pensamento bobo, mas o fato de a publicação ter tido um impacto completamente oposto com um ano de diferença corrobora com isso: a partir do momento em que até um presidente é deposto injustamente e os políticos fazem o que querem sem “freios”, a população acaba por achar que tem direito de agredir e linchar a todos. É aquela velha história do sonho do oprimido que todos conhecem. A população têm perdido a empatia e o discernimento, a violência está gratuita. Não é mais nem permitido errar, pois mesmo com um texto de desculpas claro e honesto como este que li, ainda há os que continuam a apedrejar, onde vamos parar?
    Tenho me perguntado porque o Bolsonaro tem crescido nas pesquisas, e a resposta está aqui bem clara. As pessoas estão demonstrando mais o ser individual e opressor que realmente são. Lamentável.

  35. A Internet é o lugar onde todos os fracassados expõem seus complexos, traumas e ignorância. Não deixe que esses frustrados possam te atingir

  36. Elika, desejo muita força a você. Espero que chegue a você o dobro de amor frente á onda de ódio canalizada no momento. Você brilha, e a lama jogada não apaga isso. Lave-se e arrebate. Grande abraço!

  37. Li seu texto original e identifiquei os trechos considerados racistas como sendo o choque de alguém que se viu, de uma hora para outra, fora da tradicional bolha da classe média branca (branca em termos, já que você é asiática). A própria conclusão do texto já desconstrói o preconceito do início. Foi uma jornada para todos os envolvidos, educadores, alunos cotistas e não cotistas. Achei os ataques a você algo inacreditável!! Numa época onde Bolsonaro no segundo turno é uma possibilidade real, a ala progressista (ficou até irônico o termo agora) insiste em se digladiar e dividir, enquanto a direita conservadora se une para destruir o que construímos com muita luta! Os ativistas em geral precisam urgentemente aprender a reconhecer quem está ou não do nosso lado! Entendo que só um negro é capaz de dizer o que o ofende. Mas perceber que os ataques foram tão ferozes que a fizeram ter medo pela sua integridade física e a de seus filhos me fizeram perder muito da esperança de que sejamos capazes de nos unir para enfrentar o que vem pela frente. Faça o que achar melhor para você e para sua família. Mas nunca deixe de ser a educadora que você é. Muito boa sorte pra você.

  38. Elika, estranhei sua ausência no facebook, e só agora entendi por quê. Adoro ler você todos os dias, não deixe que o ódio ( que vem dominando as pessoas) tire essa sua alegria de viver e nem a leveza da alma. Vou continuar te acompanhando por aqui. Grande beijo.

  39. Olá Elika, força nessa hora. Infelizmente a internet está buscando arduamente um vilão, saco de pancadas, alvo e afins… Como uma turba descontrolada buscando uma nova vítima. Gostei muito de ver a forma como você tenta melhorar a cada comentário e/ou crítica que recebe, e acredito que este é o caminho para evoluirmos. Espero que nada mau lhe aconteça e que possa continuar evoluindo e compartilhando esta evolução conosco.

  40. Élika, me sinto enormemente ofendido como professor pelo linchamento dirigido a você. Insisto no termo “professorismo” e me irrito enormemente pelo tipo de denegação à tua atividade docente que emerge em muitos destes comentários infelizes e nojentos. Padecemos de preconceito em sociedade (a condescendência diante dos mau pagos, a sistemática desconsideração do ponto de vista especializado pela opinião pública, as eternas expectativas de patrulhamento da nossa atividade etc). Inadmissível. Procuro neste momento os principais responsáveis – chamarei a todos à responsabilidade, chega desse jacobinismo!

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