Hoje, meu amor faz aniversário e consegui passar esse dia com ele.
Não preciso do Pipo para absolutamente nada, mas amo ter a presença dele em tudo.
A matemática da vida, vejam vocês, não tem a mesma lógica das quatro operações.
Eu, completa como um transatlântico e livre no mar, atraquei-me em um porto mesmo tendo feito qualquer âncora virar pó há tempos em minha vida.
Andando inteira pelo mundo, deparei-me com alguém que fez um quarto ser meu paraíso. Não me dividi, mas dupliquei-me e hoje, para sermos um, juntamos nossas quatro partes.
Pipo fez meu corpo entender para que servem os fogos de artifício nas festas de Réveillon.
Outro dia, estávamos conversando sobre como me incomoda usar o pronome possessivo para se referir a alguém com a qual convivemos.
Meu marido. Minha esposa. Minha mulher. Meu namorado… Sei lá. Parece marcação de território.
Relacionamento saudável não pode ter como símbolo um cadeado. Assim penso eu.
Daí, Pipo falou que se refere a mim sempre como “meu amor” porque, ainda que eu faça o que bem entender com a minha vida, ele seguirá me amando do mesmo jeito.
Portanto, o amor é dele e eu sou do mundo.
Ovulei no climatério quando ouvi isso.
Ok…
Mas, na conexão que foi feita e consolidada após o primeiro beijo, constatei uma forma de existir parecida com o que acontece quando decompomos a luz branca em um espectro de várias cores.
Isso posto e com a alma em festa:
Parabéns, meu amor. O que sinto por você é da mesma natureza do que sente a águia quando busca as alturas. Ela é livre, mas para viver sua essência, precisa estar no ar.
