
Há tempos escrevo sobre tudo o que me toca da forma mais sincera possível. Não tenho vergonha de falar de minhas fraquezas, de meus medos, de meus devaneios sejam eles de que natureza forem e muito menos penso duas vezes antes de pedir desculpas por algo que tenha feito. Não raro, sou criticada e gosto quando isso acontece porque me vejo refletindo sobre meus valores. Crescemos sempre no embate, no diálogo, na divergência.
Muitas pessoas não se expõem por aqui para não ter que discutir. Não sou dessas como podem ver. Falo sobre política, educação, maternidade, sociedade, separação, escrevo sobre como é morar no subúrbio carioca, escancaro a minha dor sem freios. Sempre fui assim desde que me entendo por gente.
Como já disseram, sou uma “subcelebridade” na internet. Para quem não sabe, esse boom no meu perfil ocorreu no ano passado por postagens de cunho bem diferentes terem viralizado: vídeo de minha filha cantando para vacas, foto dos meus filhos no Aniversário Guanabara, texto relatando a minha experiência com coletor menstrual, anúncio de meu filho Hideo,… e o polêmico texto sobre cotas escrito há um ano (repostado ontem no facebook) que é o motivo dessa minha fala agora aqui.
O texto sobre cotas me apareceu como “lembrança do facebook”. Como acontece com inúmeros deles, apenas dei o famoso control C control V para quem não tivesse lido, caso quisesse, dar uma olhada. Lembro-me que, no ano passado, recebi mensagens de todo o Brasil por ele. Pessoas que haviam sido (ou ainda eram) cotistas estavam me agradecendo emocionadas pelo relato que eu havia feito. Por recordar as mensagens de carinho que havia recebido e por entender que ele seria algo bom para a comunidade, resolvi publicá-lo em meu feed mais uma vez. Se tivesse, na época, recebido uma só crítica de um negro se sentindo mal com a postagem, podem ter certeza que não teria republicado esse texto. Não foi o caso. Os elogios e agradecimentos tinham vindo deles e por causa do texto fiz amigos cujas vozes são importantíssimas no movimento negro. Sim. Muitos que me elogiaram podem ser cegos, não descarto essa possibilidade.
Qual foi minha surpresa que dessa vez a minha vida virou de cabeça para baixo. Levei um susto com a quantidade de pessoas me agredindo e as ameaças que recebi. Fui acusada de ser racista e ter sido completamente infeliz nas palavras. Inicialmente, como sempre digo, se o oprimido diz que sofreu um preconceito e foi agredido, ele tem sempre razão. Não existe mimimi. Não existe vitimismo. O mundo não está ficando chato. O mundo está melhorando isso sim. E isso tudo que aconteceu serviu como grande aprendizado, pois, fui acusada pela primeira vez de opressora. Perguntei-me: onde fui racista? Eu? Racista?! Já sabendo de pronto que sim, vale observar. Tinha sido racista já que há negros que se sentiram ofendidos. Essa é a regra.
Li o texto. Reli. Li comentários. Muitos xingamentos, muitas agressões.
A minha reação é ficar desesperada olhando para o que fiz e questionando onde errei e porque despertei esse sentimento ruim nas pessoas se tomo sempre o maior cuidado para fazer o contrário. Para muitas que vieram até me ofendendo, eu pedi para que, por favor, me ajudassem a melhorar. O que falei que feriu tanto para que nunca mais eu faça de novo?, perguntei para um tanto de gente hoje, pois, juro, não entendi o motivo pelo qual estavam querendo meu fígado.
Nada como o diálogo.
Não vou me ater aqui a dissecar do texto e a comentar frases que recortaram, colaram em fotos minhas e divulgaram em páginas e sites por aí. Sei que com isso, minha integridade física já foi ameaçada, corro risco de vida, pois, conhecem bem meu rosto (como fizeram questão de expor) e esses que fizeram isso querem mesmo a minha morte seja ela real seja metafórica. As duas são possíveis e se temo a primeira é porque sou mãe de três e filha de duas pessoas para as quais dou total assistência. O fato de ter virado conhecida pouco me importa ao contrário do que muitos (que não me conhecem) pensam. Coisas imprevisíveis que acontecem na internet… Por mim, ficaria falando só para meus amigos como sempre fiz. “Printando meus próprios tweets” para eles somente no intuito de compartilhar ideias e brincar – como muitos sabem que gosto demais de fazer.
A única coisa que sempre sonhei foi ter meus livros publicados e só. Isso não escondo de ninguém. Mais do que isso para quê? Acabou que hoje tenho quase 150 mil seguidores, fato que foge a minha compreensão e ao meu controle. Quando penso nesse número me dá até calafrios. E, por tentar sublimá-lo e acreditar sempre que escrevo para meia dúzia de leitores, não tomo cuidados que hoje, aprendi, preciso estar atenta.
Isso posto e voltando ao foco da postagem, gostaria de agradecer a todos pelas críticas que me fizeram. Entendi que, a despeito de não ter sido a intenção, o texto que pretendia narrar a desconstrução de um preconceito, ainda assim, foi infeliz e opressor, principalmente, na forma.
Relendo a partir das críticas recebidas, percebi o quanto é difícil viver em uma sociedade estruturalmente racista. Eu estava crente que (como muitos me fizeram crer na primeira vez que o texto foi publicado) tinha feito um serviço bacana narrando tudo o que passei. Qual o quê. Close erradíssimo. Vocês estão certíssimos em terem me chamado a atenção.
A única coisa que gostaria de pontuar é que o fato de eu ter estranhado ver negros em minha sala de aula (como narrado o texto) não foi por incômodo com a raça ou cor e sim por ter visto que algo diferente estava acontecendo. No mais, a narrativa peca por ter dado a impressão que eu acredito que, se não fosse pela ajuda dos colegas brancos, os cotistas não dariam conta, além de eu ter reforçado esteriótipos que só dificultam a inclusão e os colocam como seres fora do padrão. Entendi perfeitamente isso e concordei de pronto com a crítica.
Não inventei nada do que foi escrito, queria observar. Tudo aconteceu. Não teria motivos para inventar nada. Autopromoção, crescer em cima da desgraça alheia, aparecer como salvadora… nada disso me passou pela cabeça. Quando o texto foi publicado pela primeira vez, praticamente, foi só para amigos e conhecidos que sabem que a minha intenção jamais seria essa, digo, aparecer. Queria apenas compartilhar com aquele texto (que excluí para frear as ameaças que ando recebendo e a pedido da comunidade negra – e não por covardia como já me acusam) que quebrei a minha cara por ter pensado inicialmente que não daríamos conta daquele novo perfil de alunos que nunca dantes na história do Cefet havíamos tido.
Não menti. O texto fala (de forma infeliz ok) da desconstrução (não completa como vários observaram muito bem) de um preconceito de classe e de como tive que me reinventar como professora para dar conta da diversidade de vários níveis. E tive mesmo. Não vou esconder isso. Não por ser “iluminada”, “boazinha”, “princesa isabel” como me chamaram ironicamente. Mas porque outra realidade se apresentou e que não fazia ideia de como lidar com ela e fiz um esforço danado para aprender. E continuo me esforçando para ser a melhor professora para meus alunos. Há muito o que preciso assimilar ainda, como viram. Que bom que seja assim, penso eu… que horror seria se não tivesse mais nada a melhorar.
Hoje, em minhas palestras e em minhas falas, defendo que as cotas deveriam ser obrigatórias por lei em escolas particulares também, pois vi o quanto é somado quando trabalhamos no plural. Não sou tão ruim quanto pensam ao meu respeito. Entre o quente e o frio há graduações de morno. Seria bom não ver o mundo de forma tão dicotômica, acho eu…
Se meu relato reforçou a colonização, como observaram, peço milhões de desculpas, pois quero estar ao lado de quem a questiona e não do lado de quem a defende. Por favor, não me excluam dessa luta.
Prometo me policiar muito mais na minha fala, na minha escrita e a rever sempre meus (pre)conceitos.
Mais uma vez, a todos que contribuíram para tanta reflexão, muito obrigada. E a todos que se sentiram ofendidos, perdão.
Segue o barco com todos dentro.
Publiquei esse texto me retratando publicamente. As ameaças, incrivelmente, pioraram depois que o escrevi. Por motivo de segurança (já que meu contra cheque, meu CPF e endereço foram publicados junto com a foto do meu rosto com a legenda “racista!”) e por precisar digerir tanto ódio sem afetar a minha saúde, desabilitei a minha conta por tempo indeterminado.
Preciso me fortalecer.
Obrigada a todos que permaneceram ao meu lado e não atiraram pedras.
Em tempo, se quiserem continuar lendo meus novos textos, basta assinar o Blog. Na barra lateral direita tem um espaço para isso. Sempre que postar um texto novo, vocês serão notificados.
Aqui é a minha casa. Sejam bem vindos.
Elika, vivemos tempos sombrios, é seu direito se retratar se se sentir à vontade, deletar seu perfil e tudo mais que quiser. Infelizmente, não se pode mais errar nem se equivocar hoje em dia. Mesmo você se retratando ninguém quer escutá-la. Aliás, às mulheres nunca se deu esse direito, sobretudo àquelas metidas a falar de política como muitas que hoje tem espaço e recepção que outros não têm. A reação a você me lembrou outras a Fernanda Torres, Hildegard Angel. Isto num contexto de polarização onde estamos todos errados, dependendo do ponto de vista, se direita ou esquerda, branco ou negro. Não há espaço mais para a mea culpa, a retratação nem para a argumentação e a ponderação. A guerra está posta, a violência está em todos nós, em menor ou maior grau. O fascismo agradece!
Oi, Elika.
Não somos próximas, te leio tem algum tempo.
Pensei em você o dia todo, como se fôssemos amigas de forma proximal, seu texto tinha realmente problemas na estrutura, mas vim até depois de um dia longo de trabalho, para te dizer que TUDO BEM.
Que mesmo sendo esclarecida, estudada, professora e progressista uma hora ou outra a gente vai se contradizer e vai acontecer de cometermos erros, pois somos inseridos em uma estrutura de opressão, e é apenas desnudando essas nossas mazelas que chegaremos a uma melhora, após muita reflexão e debate. Então, não é te silenciando, ameaçando e muito menos te expondo que chegaremos a algum lugar, lamento profundamente que o tribunal da internet tenha se voltado contra você e no estilo manada você tenha recebido tanto ódio. Espero de verdade que você nesse momento esteja recebendo muito amor dos seus.
Confio que esse erro está sendo refletido.
Minha vontade era poder te dar um abraço.
A propósito, sou negra e acredito que é com didática que vamos combater o racismo e não con escracho.
Mili se até hoje você não sabe quem é a Elika e como ela pensa vá se informar antes de dar sua opinião sobre tempos sombrios.
E vc, Regina, sabe quem é a Elika? Não entendi a colocação!
Só passei para dizer que gosto muito de como vc escreve e que epercebo uma profunda sinceridade nos seus textos. Discordo de vc em muitos pontos, especialmente sobre política, mas ainda assim venho no seu blog ler, aprender, reaprender sobre algumas coisas e refletir sobre o que acho que sei. Não pare de postar, não pare de escrever, vozes como a sua são importantes e pra mim, ouvir novas ideias sempre será a melhor forma de aprendizado.
Ekika, eu bão sei por onde começar . Primeiro fiquei consternada pois quando voce publicou o texto em 2016 eu fui uma das que leu e compartilhou achando o máximo, lindo! Agora a pouco vi o video de uma pessoa mostrando como o texto tem sim racismo, demagogia entre outras coisas… e ele tá certo.
Acho que tudo isso faz parte da evolução,da desconstrução. Precisamos desses tapas na cara pra acordar, pra ficarmos atentos. Se você não é negra você nunca, mas nunca mesmo vai saber como é sê-lo por mais que você simpatize e lute pela causa.
Precisamos crescer. Precisamos pedir perdão e ser perdoados. Mas acima de tudo precisamos nos ajudar a caminhar.
Vc teria o link desse vídeo?
Você está sendo vítima do fascismo que assola livremente nossa sociedade doentia. Não se deixe abater, os fascistas são muitos, mas não são todos. Sou aluno de faculdade particular pelo FIES, nunca me utilizei das cotas, e fiquei maravilhosamente emocionado com o seu texto, até uma pontinha de inveja da emoção que vc deve ter passado ao vivenciar essa experiência. Força sempre, parabéns e um grande abraço!!!
Resumiu com perfeição o que penso (e comentei).
Acho que você não tinha que ter excluido seu texto. De fascistas e de gente que lê e não entende, nosso mundinho tá cheio. Fique bem.
Olá Elika, tudo bem?
Impressionante como bastou que se passasse 365 dias para que seu texto, que foi aplaudido, hoje seja demonizado. Lemos o tal texto “polêmico” e não detectamos rigorosamente nada demais nele. Muito pelo contrário.
“O que nenhum professor do CEFET admitia era baixar o nível de nossa instituição. Eles, os alunos cotistas, teriam que alcançar os demais. Foi preciso muita dedicação, hora extra, mais avaliações para o aluno ter oportunidade de recuperar a nota – dentre outras coisas maiores como, por exemplo, amor ao próximo e empatia à causa – para que o equilíbrio, enfim, fosse alcançado.”
Essa foi uma das defesas mais corajosas (e necessárias) que já lemos em relação ao Cefet, escola que nos deu tudo que temos hoje. Ou seja, se a escola não for forte, não tem como os alunos se fortalecerem. Com essa passagem, você defende de forma assaz corajosa não apenas os cotistas mais a própria instituição Cefet como um todo, algo que sempre cobramos de nossos contemporâneos e mesmo de professores, principalmente nos últimos tempos onde vemos o ensino público definhando sem piedade.
Além disso… Onde está exatamente o racismo que os pós-modernos politicamente corretos afirmam que você está defendendo? O que lemos foi uma mea culpa que dificilmente alguém faz quando o assunto é preconceito. Você ao menos não foi hipócrita ou cínica com seus leitores. Já essa galerinha partidária do mimimi improdutivo (se bem que nunca ouvimos falar de mimimi que fosse útil…) nunca assumirá que é diretamente responsável pela ascensão de fascistas liberalecos no nosso país, especialmente na disputa pelo Planalto em 2018, com esse tipo de pensamento ridículo que só afasta mais que aproxima.
Muita força pra ti e esperamos que tu retornes às redes sociais sem maiores problemas. Abraços fraternos!
Acho tão absurdo quanto chamar a Elika de monstro quanto chamar os que reclamaram de facistas!!! O texto contém sim racismos a partir de esteriótipos mas não que a Elika SEJA racista. Não é mimimi, se você não é negro você não pode negar suas reivindicações!! Ninguém nasce desconstruído!! Acredito que cabe aqui é um pedido aincero
Acho tão absurdo quanto chamar a Elika de monstro quanto chamar os que reclamaram de facistas!!! O texto contém sim racismos a partir de esteriótipos mas não que a Elika SEJA racista. Não é mimimi, se você não é negro você não pode negar suas reivindicações!! Ninguém nasce desconstruído!! Acredito que cabe aqui é um pedido aincero
Acho tão absurdo quanto chamar a Elika de monstro quanto chamar os que reclamaram de facistas!!! O texto contém sim racismos a partir de esteriótipos mas não que a Elika SEJA racista. Não é mimimi, se você não é negro você não pode negar suas reivindicações!! Ninguém nasce desconstruído!! Acredito que cabe aqui é um pedido aincero
Acho tão absurdo quanto chamar a Elika de monstro quanto chamar os que reclamaram de facistas!!! O texto contém sim racismos a partir de esteriótipos mas não que a Elika SEJA racista. Não é mimimi, se você não é negro você não pode negar suas reivindicações!! Ninguém nasce desconstruído!! Acredito que cabe aqui é um pedido aincero
O que foi feito co ela deve ser chama do de que então????
Sincero de desculpas da Elika. Fica o aprendizado! Mas Elika, não suma do face. Sua voz é importante pra mim.
Elika,
Você se expressou mal, mas não isso é o mais importante. O que chama atenção nessa história é o nível de agressividade a que chegaram os movimentos identitários no Brasil — que te insultaram, difamaram, caluniaram e ameaçaram. Isso não é admissível. Você não é a primeira vítima deles nem será a última. Precisamos confrontá-los abertamente. Explicar que nada têm a ver com a esquerda, com a nossa luta. Não se deixe abater.
Um abraço
Li seu texto, Elika. Vejo que o que ocorre é falta de interpretação de texto e muita má-fé. Visitei sua página agora e li muitos comentários de pessoas que simplesmente “foram com a boiada”, como sempre, um hábito das redes sociais.
Imagino a sensação horrível que você deva estar sentindo, mas também vejo grandes pessoas falando a seu favor.
Quando puder, dê uma lida nesse post: https://www.facebook.com/wilson.gomes.1614460/posts/1891131531166900
Fica bem… <3
Elika, sigo há algum tempo seus textos no facebook e hoje procurei seu perfil para verificar se você estava melhor.
Ingênuo eu, não imaginava que as ameaças na verdade piorariam de um dia pro outro…
Este episódio me traz pesar no coração… ver tanto ódio tomar lugar de uma possível discussão, quando você é uma pessoa tão bem intencionada e leve, tão articulada.
Desejo-lhe todo bem, de coração. Estou desde já seguindo o blog…
Elika, acompanho seu perfil no face há poucos meses. Quando li sua polêmica postagem de ontem, me emocionei! Corajosa como sempre, você se desnudou no texto demonstrando que havia em você um preconceito, e como este foi desconstruído. Tem que ter muuuuuita coragem pra isso! Vi no texto um incrível potencial para transformar a visão (e o preconceito) de tantas outras pessoas em relação a política de cotas, e me alegrei! Fiquei igualmente surpresa por essas reações negativas e grau de violência que elas carregam. Deixo aqui minha solidariedade, e toda a minha admiração!
https://youtu.be/ZAqnDq4CpOI
Li e reli seu texto. Não vi maldade e nada disso que falaram e que você agora concordou. Entendi todos os contextos. Há um perigo em pensar em tudo que vai falar. John Cleese bem disse que o politicamente correto vai mos levar a 1984 (George Orwell).
A Rede abriu espaço para todos.
Bom e ruim. Se por um lado lemos e ouvimos textos, cenas que nos emocionam e ensinam, por outro espalhou a voz de doentes e covardes que antes infelicitavam a vida dos mais próximos e agora atingem. Tempos atrás fui ameaçado e convidei o machão para vir aqui em casa. Dei o endereço, mas sua coragem parece ter evaporado. Claro que aqui no meio da Mata Atlântica muitas coisas desaparecem. Eu mesmo já me perdi ainda prá cachoeira que nos abastece. Vai que o rapaz desistiu, pois não sabia se voltaria para casa, prá rede mundial , para continuar ameaçando. Especialmente, ameaçando mulheres. Seria uma perda enorme para a humanidade se eles se perdessem numa floresta qualquer.
De toda forma, fique atenta… És nova e muito tens a contribuir com sua família e seus 150 mil “amigos”.
Querida, sinto muito que você tenha passado por essa dor. Ninguém no universo deveria ser vítima do desamor… As lutas sempre existirão… com ódio e intolerância não conseguiremos vencer nenhuma delas. Tranquilize seu coração… basta consultar sua consciência. Luz e paz pra você e sua família.
Elika, sinto muitíssimo por esse caos. Sua intenção sempre foi nítida e reflete esse encontro com “o outro” que nem sempre é fácil. Esse “outro” não conseguiu te enxergar como vc fez com ele. É uma pena.
Cada vez que leio seus textos fico mais seu fã.
Para mim é óbvio que a grande parte dos textos ofendendo e desclassificando o que foi escrito é coisa sim de facistas. Não esqueçamos da triste figura do Fernando Holiday, um negro Facista e Canalha que é contra as cotas !
Elika não devia baixar a cabeça e parar com o Face. Tem que escorraçar esses fascistas de MBL, MCC e outros grupos facistas de onde eles aparecerem… Se preciso, vai na porrada mesmo, tem muita gente que te apoia e lutaria por Vc !
Força querida.Em que tempo vivemos, quanta onda de ódio. Como te sigo há mais tempo sei o seu posicionamento sempre humano. Adoro o seu jeito leve e sincero de escrever. Mas é isso, deve-se ter mais cuidado com uma maior exposição.
Triste, muito triste tudo isso; para não dizer assustador!
Vá. Retire-se.
Resguarde-se e recupere-se. Mas volte para o nosso deleite e crescimento.
Fico aqui torcendo para que as pessoas que hoje te ofendem, leiam com bons olhos este texto.
Paz e Bem!
Elika Takimoto dispensa comentários! Beijocas amiga! Estamos juntos!!!!
Uma pena tudo isso ter acontecido.
O seu texto eu não vi racismo, e sim, alguém que se deparou com um cenário antes nunca visto, fazendo de tudo para tentar entender essa nova dinâmica e aprender com o novo público.
Vi que tu saiu fortalecida daquele episódio, mas infelizmente hoje, vivemos tempos de ódio de ambos os lados.
A roda gira e esses tempos sombrios irão passar e espero que tu possa superar mais esse desafio.
De resto, tu acaba de ganhar mais um leitor direto do seu blog. Antes eu só acompanhava seus twitter, através de meus amigos rsrsrs
Te desejo boa sorte daqui por diante e torço por sua volta ao facebook quando essa maré passar.
Em 2016, não só amei seu texto, como também compartilhei. A intenção do compartilhamento era desmistificar as cotas, e mostrar que esse é o caminho. O CEFET manteve a qualidade e tenho certeza que foi um aprendizado para diretores, professores, a alunos, cotistas ou não cotistas, negros ou não negros.
Li e reli seu texto novamente. Não vi nada para te acusarem de racista. Tudo dentro do contexto. Acho que estamos passando por uma fase doída, onde tudo ou é preto ou é branco.
Elika;
Você é uma das pessoas mais interessantes e necessárias deste país.
As pessoas que desmonstraram a ignorância do ódio que lhes absorve, desconhecem seu posicionamento inteligente e progressista.
Desculpa por eles.
Não podemos fazer você voltar atrás em sua decisão.
Mas certamente tenho a necessidade de lhe dizer muito obrigado pelas suas reflexões, pensamentos e provocações.
Sentiremos sua falta!
O facebook perde. Os ignorantes perdem. Todos perdem.
Volte. Bjsss
Elika gosto muito dos seus comentários e li seu texto sobre as cotas e ainda que contenha alguma visão preconceituosa ou racista não é caso para reações odientas. É que estamos vivendo uma época de pouco diálogo e acirramento dos ânimos. Seja forte e volte quando se sentir pronta para isso.
Elika, eu mesma fui uma das que critiquei seu texto. Sendo parda, oriunda do subúrbio e da escola pública, tendo ingressado num dos cursos federais mais concorridos do país, sem cota – porque não existiam à época – tendo vários amigos da mesma caminhada, te digo que sim, há muitos dos elementos do texto que soaram ofensivos. Sem intenção, como disse, mas estavam lá. Ontem mesmo brinquei com meu marido: “olha, quando tinha 14 anos tomei pau no cefet por meio ponto, será por não saber pegar no lápis” rsrs.
Não é facismo. Resposta não é facismo. É o risco da publicação.
Porém, lamento que alguns não se limitem à crítica ou ao debate. Ameaças são inaceitáveis. Agressões são inaceitáveis. Lamentável.
Realmente será uma perda para o ambiente virtual o seu afastamento do facebook.
E relaxe, não se culpe. Ser racista é bem diferente de reproduzir um ou outro elemento desta cultura. Eu mesma demorei mais de 20 anos pra me enxergar como preta – e ainda assim, ainda estou muito “construída”.
Fique em paz. E volte ao facebook.
Me surpreende o fato de poucas pessoas conseguirem tecer uma critica construtiva que ganhe alguém ao invés de criar mais ódio…
Elika,
acabei de ler um texto excelente do filósofo Wilson Gomes sobre você — a seu favor e contra esse “linchamento virtual” monstruoso. Foi publicado há 2h e, até o momento, tem quase mil curtidas e mais de cem compartilhamentos. Se tiver oportunidade, leia.
Grande abraço,
Tarlei
Prezada Elika,
Sinto muito por toda essa injustiça contra ti.
Por favor, não deixe de escrever e contribuir, como sempre fez, com suas análises acerca dos diversos assuntos.
Um abraço!
Lamento que você esteja passando por tudo isso. O ódio está em todos os cantos, infelizmente. Fique em paz! Beijão!
| elika você não está só |
Elika, eu já te disse tudo que tinha pra te dizer. Conte comigo, com seus alunos, com sua família e amigos, e com milhares de pessoas que conseguiram interpretar seu texto da forma correta, mesmo que (??) haja imperfeições no mesmo. Conheço a sua luta, a sua luta é também a minha e a de todos os brasileiros que tem amor no coração e não ódio! E por falar em ódio, não se deixe machucar por este tipo de gente. As pessoas que buscam amor precisam de você. Beijo.
Coração, Elika! Coração pra você 🙂
Elika,
Eu ainda nao estou acreditando que o texto que li e amei ano passado criou toda essa bagunca na sua vida. Ja discordei de coisas que voce escreveu, achei ok, achei fiquei maravilhada com a sua capacidade de falar com a minha alma sem nunca ter me conhecido. Faz parte da vida de escritora, voce deve achar normal. Seu objetivo eh esse: comunicar.
Que pena que nossa educacao como uma sociedade nao progride tao bem quanto na historia que voce descreveu. Que pena tantos nao conseguem entender que o texto eh uma historia, que por mais trechos reais contenha, ainda assim eh adaptado a uma ficcao. Que pena que nao entendem que voce eh humana e se atingiu alguem negativamente, foi por engano. Voce nao pode ser resumida a achismos e pobres interpretacoes sobre aquele texto.
Continuo te admirando, torcendo que as coisas melhores e que pelo menos este cantinho nunca pare.
Beijo carinhoso e abraco apertado,
BR
Querida, não te conheço (pessoalmente) mas te considero pacas. Forca sempre. Não entendo tanta desunião. São raras as pessoas como você, que já é tanto e ainda se permite ser mais. Não tenho seu dom com as palavras, mas fica aqui meu abraço e um cheiro. Se precisar de qualquer coisa (sei que não me conhece, mas f$&*#-se) Pode me procurar. Entro na briga por ti, mas prefiro que haja união. Fique forte
Elika, a internet, no seu estado atual, tão cheia de ódio e de vontade de punir, não te merece. Li seu texto e realmente vi que tinha alguns problemas. Mas o que é um texto com defeitos diante de centenas sublimes? Nunca comentei em seu perfil, mas quero dizer que amo te ler!
Você faz muito mais pela esquerda, pelas mulheres, pelos marginalizados do que qualquer patrulheiro deste. Que tudo isso passe logo, você fique bem e volte! Não te merecemos, mas te precisamos! Beijo grande!!
Caríssima o perdão deve vir do teu lado,perdoe-os somente pela falta de saberem interpretar um belíssimo texto.
tamo junto!
Vou deixar aqui a resposta que deixei para uma amiga irada. Talvez alguns me detestem, mas não posso deixar de opinar, como negra/preta/afrodescendente que sou. Não conhecia a Elika, então li o texto anterior, que causou a ira geral, e li o pedido de desculpas dela. CERTAMENTE ela foi um tanto infeliz no primeiro texto e acredito que, por não saber que ela também tem ”seu lado racista” escondidinho bem num cantinho da mente, sem se dar conta disso. Como acontece com a maioria dos brasileiros – INCLUSIVE pretos que não aceitam que o são. Isso tudo porque não conhecem a História Da África, que não é ensinada nas escolas e que mostra que fomos um povo grandioso antes das invasões, colonizações, escravizações, para sustentar a Europa, que de outro modo, teria perecido de fome, não fossem essas explorações. A Europa só é o que é, devido as invasões, escravizações e colonizações na áfrica, Ásia, América Latina e Oceania. Então, não seria correto ENSINAR a ela como desejamos ser retratados? Mostrar que não gostamos de ser vistos como ”aberrações genéticas burras”, já que descendemos de povos cultos, inventores, construtores de civilizações magníficas; que quando fomos trazidos para esse país, ensinamos muitas coisas a nossos algozes – os portugueses que vieram povoar esse país -, já que que eles mal sabiam limpar suas próprias bundas? Ela deve ser ensinada, portanto, que temos uma certa dignidade e orgulhos quase ”natos” e não deveria nos retratar – mesmo que ”cotistas que mal sabem o que é estudar” -, como imbecís incapazes. Nós ”estamos emburrecidos”, não somos emburrecidos. Nossa marginalização após a escravidão, nos jogou nessa situação. É isso o que precisa ser ensinado com mais ênfase nas escolas, mas com boicotes de grupos evangélicos – de maioria negra, inclusive -, até o ensino da religiosidade de nossos ancestrais é negada.Creio que seria mais digno que fazer ameaças de mortes, xingamentos vulgares, como vi por ai. isso reforça o estereótipo de ”negros são naturalmente violentos e burros”…
PS -Seu povo é extremamente orgulhoso, Elika; conheço a fundo a história do Japão e suas personalidades históricas fortíssimas. Minhas amiga de mais de 3 décadas, Yoko Mokiti Okada era um belo exemplo do orgulho que o japonês tem de si como povo e eu jamais ousei mostrar a ela os possíveis lados negativos dos japoneses, por respeito a essa amizade e porque jamais a vi nos mostrando como inferiores. Da próxima vez que for escrever sobre um povo, realce-lhes as qualidades positivas. Não os exponha como seres subdesenvolvidos. Estamos aprendendo, a duras penas nos orgulharmos de nossa identidade.
gosto de seus textos, mesmo que em algum tenha discordância acho ele bons. A patrulha sempre vai estar presente, mas veja o Lula não deixa o medo e o rancor tomar conta, e nos últimos dias nem a tristeza de perder a companheira.Mantenha o face vc é otima não gostou e problema de quem não gostou 🙂
Elika, apenas para fortalecer o laço de solidariedade. Receba amor <3 <3 <3.
Triste o ocorrido e só confirma que vivemos tempos sombrios sob o ponto de vista da intolerância. Semanas atrás uma amiga de mais de 2 décadas me bloqueou no whats por causa de 2 frases minhas sobre politica (em que eu concordava com uma matéria q ela me mandou) e alguns emojis de riso! Apesar de tudo espero que persevere compartilhando suas sinceras e sábias palavras, Elika. Tem meu total apoio.
Elika, vc foi perfeita em sua retratação. Não deixe que o julgamento alheio lhe tire a alegria de escrever, Precisamos de você!
Querida Elika, estamos juntas! Vamos em frente, em novos espaços!
Não acredito que a patrulha ideológica que promove linchamentos conseguiu retirar Elika Takimoto do Facebook. Isso só mostra que o conceito de “lugar de fala” apenas tem sido cada vez mais usado como carteirada, uma espécie de exclusividade em relação a falar e discutir e determinados assuntos. É evidente que atitudes que valorizam a exclusão apenas vão desembocar em mais segregação e estigmatização. A experiência é uma categoria sociológica e antropológica importante, mas nunca foi o suficiente para se descartarem pessoas de discutir sobre algum assunto. Além disso, a militância que crescentemente apostar no linchamento virtual – o que é na verdade manifestação de uma série de problemas: reprodução da linguagem da violência, necessidade de autoafirmação, falta de ética pública – não chegará a lugar algum como luta política: quem vai querer apoiar pessoas que apenas te esculacham, te destratam e te abominam em qualquer erro que seja, embora sempre esteja disposto a ouvir, dialogar, compreender e (se) transformar? O avanço tecnológico foi apenas um catalisador que, mediando a comunicação pela técnica, a um só tempo, dissolve afetos e laços, bem como impulsiona revelar e demonstrar o que há de pior nos humanos. É hora de rever esse “gap”, esse fosso que está se espraiando como norma.
Elika,
Te acompanho há algum tempo, e tenho uma admiração absurda pela pessoa que você é. Acredito que viemos a esse plano para errar mesmo e aprender com os nossos erros, tentando sempre evoluir como seres humanos.
Sinto muito que muitos de nós não tenhamos a tolerância de olhar para o outro, que seja por um segundo, e tentar se colocar no lugar, enxergar as coisas por outro ângulo, porque sabemos que não somos perfeitos e nenhuma das nossas certezas são certezas absolutas para o resto do universo. Não somos donos da razão, e me entristece saber que metade dos problemas do mundo poderiam ser solucionados com empatia, respeito ao próximo, um olhar mais humano, quando boa parte das pessoas se mostram irredutíveis a ignorância.
A escolha da minha profissão me deixa o legado de acreditar na humanidade acima de tudo, e são pessoas como você que me dão a esperança de um mundo melhor. Você é inspiração para tantos!
Se você errou (o que não foi o modo como interpretei a situação) foi tentando acertar, então acalma o seu coração e receba as energias boas que as pessoas que te adoram estão emanando neste momento.
Por fim, gostaria de agradecer por brilhar meus olhos com a sua escrita!
Grande beijo.
Não sei o conteúdo, pois não está disponível. Mas nunca entendi as pessoas se desculpando na internet. Pedir desculpas ou “desenhar” para os de compreensão rasteira, em q isso contribui? Fui chamada de nazista, qdo disse o motivo de não mais frequentar um local na praia de Ipanema. Falava de CHOQUE CULTURAL. Foi tão rasteiro o comentário, na página de um amigo brilhante,professor de arquitetura, q sabia exatamente como eu era, q nem valia a pena responder… Nada me causa mais desânimo que gente burra. E gente burra, qdo não é violenta é engraçada. Quer dizer, era. Pq agora, cada vez mais numerosos, estão tomando o poder no mundo inteiro.
-Alexandra-
Publiquei assim no meu face
Linchamento virtual também é linchamento.
Linchamento em nome de qualquer causa, seja ela a mais nobre, continua sendo linchamento.
Linchamento é sempre cruel, seja vindo da esquerda, da direita, de baixo ou de cima
E linchamento nunca, nunca é justificável.
Dito isso, quero ainda dizer que esse tribunal das redes me deixa muito indignada e triste, ainda mais quando ele se dispõe a atacar aqueles que estão lutando do “mesmo lado”, ainda que de forma atrapalhada ou equivocada, às vezes. O chamado “fogo amigo” é infantil mas, sobretudo, um desperdício estúpido de munição quando há tantas lutas difíceis a travar.
Freud chamava essas pequenas desavenças entre iguais de “narcisismo das pequenas diferenças”. É isso o que nos torna mais suscetíveis a odiar os argentinos e não os japoneses, por exemplo. Já os japoneses preferem odiar os coreanos. Curiosamente, nosso incomodo com as diferenças são tanto maiores quanto mais o outro se assemelha a nós. O outro, nesse caso, funciona como uma espécie de espelho que potencializa em seu reflexo aquilo que nos incomoda em nós. Trata-se de um outro que na verdade sou eu. E sabemos que ninguém pode ser mais cruel ao reparar uma espinha na testa do que o próprio dono da testa.
Apenas essa teoria é capaz de explicar o fato de alguns movimentos sociais e/ou de minorias, tão importantes e fundamentais para nossas bandeiras de esquerda, se ocuparem de atacar com mais veemência e contundência aqueles que se apresentam com discursos mais parecidos e mais próximos.
Nos torna capazes, por exemplo, de nos incomodarmos mais com o machismo que comparece numa carta de amor do Duvivier do que na politica defendida por Bolsonaro na Câmara dos Deputados. De nos ocuparmos em problematizar o uso de turbantes por mulheres brancas, num país que mata e encarcera sua população negra sem a menor culpa ou cerimônia. De lincharmos a professora Elika Takimoto por um post que pode até apresentar alguns equívocos na hora de defender a política de cotas, quando temos em curso uma politica educacional que caminha não apenas na direção de acabar com as cotas, mas também com o ensino público superior.
Hoje soube que a tal Reforma Trabalhista, na pauta deste governo de absurdos, resgata a possibilidade de moradia e alimentação contarem como parte do salário do trabalhador rural. Isso se parece com o modelo escravocrata, gente! Isso é bizarro! Inadmissível! Vocês tem mesmo certeza que vão gastar tempo, saliva e o tesão de vocês problematizando as espinhas na própria testa?
E lembrando: linchar não é uma estratégia aceitável sob nenhuma hipótese.
Rita Almeida
Obrigada
😍
O email do comentário anterior foi errado