Fugindo do Aconchego

tang-yau-hoong (2)

 

A minha maior riqueza
é minha inquietude.
Nesse ponto sou próspera.
Ideias que me aceitam
como sou
eu as desprezo.
Não sei ser apenas
alguém que entende
teorias, que se conforma
com os conceitos, que reza
a mesma Ave Maria.
Em qualquer ocasião
eu busco a transformação
na carne e no espírito
a renovação
Acalma-me fugir
do aconchego.

Para Nara.

Eu gostaria de explicar para Nara, que anda angustiada no auge de seus treze anos com a falta de tempo, que não podemos fazer tudo o que queremos e, principalmente, na forma que queremos, tendo o dia um número de instantes pré-determinado.  Pensei em dar exemplos pessoais, mas percebi que através deles não mostraria a dimensão dessa proposição. Ela poderia acabar pensando que possivelmente isso seria uma limitação somente minha, continuar acreditando que possui super poderes e ter, por fim, a ansiedade centuplicada. Como fazer com que a Nara entenda que há felicidade num lugar onde faltam tantas coisas importantes? E mais, como mostrar que essa é uma lei universal contra a qual qualquer luta será em vão?
Compartilho, hoje, uma tentativa:
Minha querida Nara,
Tudo o que não é verão é comedido
e o que não é outono não se renova
… se não for inverno pode ser levado a sério?
Como se sentem os fotógrafos
Quando não estamos na Primavera?
É isso. Espero que ela me entenda…